terça-feira, 14 de julho de 2015

UM AMOR. QUATRO MÃOS. UM BARCO


Leiam ao som: Once- Falling Slowly

[Prelúdio]

Estamos afundando lentamente, tuas mãos procuram por papeis e caneta para gritar em silêncio como sempre faz, meus dedos continuam a dedilhar nossa quase música, acreditando que dessa vez vou achar a melodia perfeita pra nos encaixar. 

Tudo tem estado bagunçado, tenho te escutado chorar noite após noite sufocando o choro no seu travesseiro, enquanto minha cabeça doe por não conseguir carregar o peso dos últimos dias no corpo e coração.

Somos a pior versão do nosso amor. Transformamos nossa poesia em prosa fraca, nossa melodia perdeu a harmonia. Esquecemos em alguma gaveta o manual de como sobreviver ao naufrágio. Estamos jogados em águas escuras que embora pareçam calmas nos leva cada vez mais para longe do cais.

Seus olhos tão melancólicos me dizem que perdemos nossa embarcação e já não há mais nada para se salvar. Minha boca procura por socorro, algum pedaço de terra firme em seus pequenos e delicados lábios, mas eles estão mergulhados nessa tristeza sem fim, que qualquer pedido seria ignorado.

Fecho os olhos e em um último ato, faço uma prece. Grito por um milagre que nos tire dessa embarcação que não nos cabe mais, choro por todo amor que ainda cabe no meu peito, e por todo aquele que tem se esvaziado no meio do caminho. Enquanto isso você continua a gritar em papéis de carta que o amor não se acabe. 
E dessa maneira nos perdemos daquilo que um dia juramos ser infinito. Lentamente e silenciosamente continuamos afogar na esperança de sermos salvos.

[Poslúdio]

Na verdade nos perdemos de nós mesmos, de nossas próprias esperanças. Tantas cartas, tantos papéis... um amor de tabloide não poderia dar certo. Quem seria eu para ter em meus braços a sinfonia mais perfeita das letras? Abuso! De tudo na vida fiz pouco, menos do amor e, bem, esse também me traiu! Palavras bonitas, coração seco. Assim ando pelo mar, esperando meu milagre, uma gota de água doce. Quem atenderá meu pedido?

Nosso amor morreu foi de sede. Desidratado de paixão, pela falta de emoção, pelo comodismo de quem bebia toda água sem pensar na sede de amanhã. Agora? O que podemos fazer? Apenas ir embora, deixar a embarcação em alto mar, antes que se perca até o barco. Que será de mim sem você? Que será de você sem mim? Que será do barco sem nós dois?

Nem mesmo as lágrimas de meus olhos são doces, antes como água do mar são salgadas, prova de que para esse amor não haverá solução, exceto pela sangue, esse sim, doce como o mel. Mas de que adianta um morrer e outro ficar? De que adianta que mates minha sede com teu sangue e não estejas aqui para viver comigo?

O que nos sobrou? Até a morte nos é vã! Perdidos de nós mesmos... Sentimentos? Apenas de arrependimento. Dói saber que nossa vida era sinfonia mas perdeu o enredo. Que da mais doce poesia tornou-se apenas um lamento. Que do mais alto pedestal agora rasteja pelo chão, clamando por água, que seja doce, que tenha amor, que possa dar cor ao cinza da nossa existência.

Só nos resta afundar o barco! Dane-se o mar, dane-se o amor, dane-se nós dois... Já estamos muito longe do caminho para querer voltar. Amor quando se perde não tem volta, precisa morrer e viver de novo. Morramos juntos, nasçamos de novo! Abro mão do barco, do mar e até do amor... Mas de uma coisa não desisto: De nascer de novo contigo!

O texto de hoje foi um presente feito a quatro mãos com o querido Patrick do blog Patrick René a culpa é das palavras
Obrigada por encher meu espaço vazio de poesia.

8 comentários :

  1. Camila, minha amiga! Presente dos céus ter conhecido seu talento e você. é claro! Que venham mais textos a quatro mãos!

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    1. Que nossa amizade seja que nem o vinho, possa melhorar ainda mais com o tempo. Obrigada por me ajudar.

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  2. MEU DEUS. QUE TEXTO! estou inteira arrepiada, da cabeça aos pés! Pude sentir a emoção dos personagens, estou apaixonada pelo texto e pelo seu blog! Parabéns, de verdade! Vocês merecem muuuuuuuuuuuuito sucesso! Obrigada por esse texto de tamanha perfeição! www.vendoalemdoespelho.blogspot.com

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    1. Eryen meu coração se estufa de tanta alegria por ler um comentário tão cheio de carinho.
      Obrigada e que agora esse seja nosso cantinho.
      Beijos

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  3. Que lindo texto! Veio em um momento de completa identificação, infelizmente.
    Parabéns a vocês dois!
    Só houve um errinho de digitação na palavra "cede" rs Mas ficou perfeito!

    Beijão e sucesso!

    Imperfeitas e Lindas

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    1. Oi Alice fico feliz que tenha gostado do texto, e obrigada pela correção.
      Beijos linda

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  4. Camilla,que texto lindo!
    Realmente,nem sempre dá para recuperar o amor
    As vezes o único que nos resta são belas lembranças.
    Oblogdeisadora.blogspot.com

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    1. Verdade ás vezes é melhor pular fora e salvar as lembranças de algo que foi bom.
      Beijis

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Germine aqui um pouco de amor. ♥