segunda-feira, 4 de maio de 2015

O DIA QUE GANHEI O PRIMEIRO PEDAÇO DO BOLO


Antes de ser mãe meu maior medo é que eu não pudesse ter filhos, de alguma forma eu sabia que era bobagem, mas o medo quase sempre é algo irracional. Quando engravidei o medo de não ter filhos passou para "e se for menino?", eu tremia de medo só de pensar que poderia ser mãe de um garoto meu sonho sempre foi ser mãe de uma princesinha e não de um moleque de shorts largo e uma blusa três números maior que ele. Na minha cabeça eu não havia nascido para ser mãe de menino, eu não queria ser mãe de menino, eu não saberia ser mãe de menino. E de repente veio a confirmação era um GAROTÃO, e agora? Eu não poderia pedir para trocar igual faço quando alguma roupa não fica boa.
Precisei de um tempo para assimilar que todos os planos que fiz na minha cabeça de passear com minha filha, de fazer tranças em seus cabelos, de brincar de casinha, de boneca, de vê-la pegando minhas maquiagens para se parecer um pouco comigo seria tudo trocado por carrinhos, bonecos, arminhas, será que eles podem brincar com isso?
Eu não estava preparada pra receber um menino em minha vida, e posso falar? Não estar preparada foi a melhor coisa que poderia ter nos acontecido. Fomos aprendendo juntos.
Quando no dia 4 de maio depois de sete horas de uma dor alucinante e assustadora escutei um chorinho roco meu coração entendeu que não era o medo de ser mãe de menino que me apavorava, era  o medo de ser mãe, era medo de não dar conta do recado. Mas quando colaram aquele pedacinho de gente em meus braços, todo enrugadinho, cabeludo e melecado (sim isso é normal gente), eu o beijei e sussurrei no ouvidinho dele "vamos conseguir".
 Fomos nos ajustando, meu reizinho foi me ensinando a ser mãe, passei noites em claro, tive meus seios em carne viva, chorei quando a vacina de dois meses causou dores a cada dez minutos, ele se contorcia de dor e meu coração de medo, mas passamos por aquilo juntos, e a cada dois meses até ele completar seis meses passamos por aquela dor que doía mais em mim do que nele, vi o primeiro dentinho dele causar noites de agonia e coceira, engatinhei pela casa junto dele, segurei em suas mãos quando começou a dar os primeiros passos até que ele não precisou mais de mim, escutei falar sua primeira palavra que soava parecido com papai e ao mesmo tempo com papa (ele sempre gostou de comer). Depois ele foi crescendo, e o que mais temia aconteceu ele mostrou que já não era tão dependente de mim, saiu do peito, então decidi que já era hora de voltar ao trabalho. E foi ai que o meu medo começou a se mostrar um monstro horrível devorador de mamãe, chegava em casa cansada pelo trabalho e pela distancia, quase sempre ele estava dormindo e quando ficávamos juntos o pai se mostrava o preferido em tudo, e quando não era o pai era a avó, e eu? Eu tinha um monstro chamado medo para me fazer companhia.

Sei que é feio o que vou dizer, mas admito sentia um ciúmes incontrolável do pai, da avó, da tia, da bisavó, da tia-avó, do padeiro, do tio da perua e te todo qualquer ser vivente.
Ele nasceu o pai por completo, a versão melhorada do homem que mais amo nessa vida. E simplesmente não possuía nada de mim. Droga de genética fraca. Mas bastava olhar com mais calma e lá estava meus trejeitos e manias nele, afinal tinha algo meu nele.
Até hoje seis anos depois quando entramos no assunto comento com o Tiago algo do tipo "o Arthur prefere você", ele ri e fala que isso é coisa da minha cabeça, viro pro lado e penso "eu sei que prefere".
Hoje ele fez seis anos (tudo bem tempo já pode passar devagar) e quando foi falar de quem era o primeiro pedaço de bolo ele pediu a atenção de todos e disse:

"O meu primeiro pedaço de bolo vai para minha mãe amada porque eu sei que ela me ama muito, e ela é muito amada por mim." (Rei Arthur)

O que aconteceu depois disso? Choro, muito choro, meu, dele, do pai, da avó e todo o universo. Meu primeiro pedaço dá para acreditar? Ele me desmontou em milhares de pedacinhos e fez meu ciúmes e o monstro do medo de não ser boa mãe lá para onde judas acha que perdeu as botas. Se eu escolhesse o melhor presente que já recebi certamente seria esse bolo, ele significa que estou conseguindo passar para meu filhote de leão o que aprendi com minha mãe.
Hoje só queria agradecer porque o aniversário é do Rei Arthur mas quem ganhou o presente foi eu.








4 comentários :

  1. E esses olhinhos todo marejado de amor? Aí. ♥
    Nós imploramos para que o tempo corra, voe, passe depressa.. e olha aí, pedindo pro tempo parar! Santa maternagem!
    Beijos
    www.kyonacaron.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é Kyrona, só depois de ver o quão rápido ele pode passar que aprendemos a valorizá-lo melhor.
      Beijos

      Excluir
  2. Oi Camila! Comecei ontem meu blog e ainda estou perdida no que fazer/como fazer neste mundo virtual. Entao decidi comecar por buscar blogs de outras meninas cristas para ler, e ai achei o seu e ja chorei com esse post! Nossa! Engracado ver que muitas maes tem o mesmo medo, eu ainda lembro que eu tinha medo de nao conseguir engravidar, e engravidamos praticamente na lua de mel hahahaha e depois o medo de nao dar conta... uuuuui.... mas nada como um dia atras do outro para Deus mostrar que estamos cobertas da graca e devemos fazer igual naquele filme do Bope: missao dada, missao cumprida :-) hahahaha kissinhos ahhhh e parabens pelo primeiro pedaco do bolo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que isso acontece com a maioria né?!
      Temos inúmeros medos, mas o Senhor nos capacita a enfrenta-los, e temos motivos pra sermos fortes.
      Fico feliz que tenha gostado.
      Beijos moça.

      Excluir

Germine aqui um pouco de amor. ♥