terça-feira, 28 de abril de 2015

100 DIAS SEM ELA: 6º DIA


Após um fim de semana massacrante, regado a café, pão, Netflix e uma leve nostalgia fiz um esforço sobrenatural para aparecer no trabalho com uma cara no mínimo digna.
Na entrada cumprimentei alguns caras do departamento de T.I que comentavam sobre a rodada do brasileirão. Soltei um sorriso amarelo para um moça do R.H que sempre fazia questão de deixar claro sua disponibilidade para uma saída depois do expediente. Fiquei mais alguns minutos e inventei que tinha esquecido de completar um relatório.
Sentei e na minha mesa e reparei o espaço vazio ao lado do monitor, faltava um pouco dela até mesmo nos lugares que nunca a apeteceram de fato. Ela havia se apoderado da minha vida de uma tal forma que mesmo pegando suas malas e batido a porta ela continuava ali e eu cheio de suas bagagens.
Trabalhei sem ânimo, tomei alguns cafés pela manhã. Almocei com alguns conhecidos que por educação me fizeram companhia e eu por educação deixei os ficar.
Voltando para casa parado aproximadamente meia hora em um trânsito caótico, peguei o celular e meus dedos deslizaram até o nome dela, seu sorriso na tela do meu celular estilhaçou meu coração em milhares de fragmentos, pensei "Merda. Quase uma semana". Soltei o celular antes que minha dignidade resolvesse me abandonar e rastejar pela volta dela. É difícil de acreditar que uma semana atrás eu ainda era alguém que coloria as noites dela com minhas piadas ridículas, e agora não era absolutamente nada. E era esse nada que estava corroendo meu fígado saber que para ela havia me tornado um completo desconhecido que não lhe causava qualquer tipo de sentimento, nem mesmo ódio, compaixão tão pouco pena.
Como alguém anula o outro de sua vida de uma hora para outra? Não sei, mas queria descobrir.
No elevador do prédio esbarrei em uma garota com cabelo azul, maldita cor. Apesar dela não ter o cabelo no mesmo tom sua alma era fruta cor, maldita síndrome de Clementine que fez ela esquecer de mim. Nunca odiei ninguém sem motivos, mas naquele momento me vi odiando uma completa estranha só porque seu cabelo fazia memória de um filme que retratava nossa história, aliás, eu a odiava por um motivo logo tinha direito de ter pensamentos destrutivos por aquela moça, pela Clementine, pelo patético Joel e acima de tudo dela. Mas o problema é que meu ódio por ela era apenas disfarce, e sempre fui péssimo nessa coisa de enganar.
Pendurei as chaves larguei os sapatos perto da porta e cai no sofá, fechei os olhos e desejei acordar em outro lugar, em outra história, em outra pessoa. Abri os olhos, ainda estava na sala vazia, era a mesma história do cara patético que se apaixonou, ainda era eu e os restos de um coração encaixotado que foi esquecido na mudança.
Preparei um café. Li algumas páginas de um livro qualquer até meus pensamentos procurarem alguma semelhança nos personagens, lamentei minha falta de concentração. Tomei um banho e fui para cama desejando que durante a noite alguém colasse um aparelho maluco na minha cabeça que apagasse todas as memórias sobre ela, acordaria sendo o Joel sem uma Clementine para lembrar.


Esse foi o 6º dia sem ela.


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4 comentários :

  1. "Como alguém anula o outro de sua vida de uma hora para outra? Não sei, mas queria descobrir."' Também quero muito saber como as pessoas conseguem fazer isso de uma hora pra outra e seguir a vida naturalmente. Quero muito ler a próxima Crônica, espero ainda lê-las em um livro <3
    Beijos
    www.umdiarioqualquer.com

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    1. É triste né Vanessa saber que vivemos em um mundo onde pessoas são tratadas como coisas, que quando se cansam são descartadas.
      Nossa seria um sonho ter um livro um dia.
      Beijos

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  2. Incrível,ainda mais refletindo sobre cada palavra dele :)
    Adorei :D
    Beijos ^.^

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    1. Jennyfer a cada comentário seu me sinto mais feliz por saber que ele consegue despertar sentimentos em quem o lê.
      Beijos linda.

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Germine aqui um pouco de amor. ♥