terça-feira, 10 de março de 2015

100 DIAS SEM ELA: 3º DIA


Quantas noites um cara por volta dos seus 30 anos consegue ficar sem dormir direito, foi o primeiro pensamento que me veio a mente. Juro que consegui contar quantas gotas gotejaram na pia do banheiro essa madrugada. Por volta das 04:00 h da manhã as gotas já pareciam pequenos tsunamis na minha cabeça.
As 06:00 h levantei minha carcaça da cama e fui para o chuveiro tentar recompor o resto de homem que ainda existia em mim. É engraçado como debaixo do chuveiro as coisas tende a parecerem mais claras. Como se tudo fosse facilmente limpo ou apagado com água e sabão.
Fiquei me perguntando se eu não tivesse a conhecido naquele dia, naquela hora, naquele ponto, naquela maldita esquina. Pensei que tudo pudesse ser diferente  se a vizinha do 54 não tivesse pedido para ajuda-la a levar as compras eu teria chegado na hora. Não teria corrido feito um lunático atras do ônibus, não teria voltado com aquela cara patética, não teria me sentado naquele banco, não teria sentindo aquele cheiro de flores, não teria olhado para o lado esquerdo e visto aquele embaralhado de cabelos soltos dançando em seu rosto, ela não teria me olhado com aqueles olhos gritantes que hoje percebo que jamais gritavam por minha ajuda.
Que droga cara, 3 dias depois e já está imaginando como seria não conhece-la. Imaginando como seria não ter sido dela por 508 dias e quatro horas aproximadamente.
É engraçado ou patético (não sei ao certo) como a gente mergulha de cabeça na promessa que outra pessoa receberá seu coração e livremente escolherá não feri-lo. E o meu foi cuidado até um certo tempo, até o cinema as quartas se tornar motivo de brigas porque ela sempre se atrasava e ainda assim eu virava o culpado, até a comida excêntrica se tornar comum, o perfume antes tão amado virar mais um motivo para estar sempre enjoada, até o fim de semana virar uma prece para passar rápido. Até ela perceber que você é de escorpião e ela de leão e resolver acreditar que são incompatíveis. Quem em pleno século 21 acredita nessa baboseira de horoscopo? Ela acredita. Acreditou tanto que disse que o amor era um ciclo que se repetia ainda que fosse em outras pessoas.
Ela poderia facilmente ter decidido recomeçar comigo, mas preferiu deixar meu coração ou o que sobrou dele junto com as chaves na mesinha que agora abriga pilhas de jornais nem se quer lidos.
Respiro e penso "tudo bem haverá novos sabores te esperando por ai. Ta tudo certo cara, você já passou por isso, daqui um mês no máximo a vida vai ter voltado a ser o que era".
Pego minhas chaves, olho para a parede da sala verde-limão, que ela jurava de pés juntos que era verde-vida da fazenda, quem da esses nomes a tintas? Por um milésimo de segundo meus olhos viram ela com meu shorts do futebol e com minha camisa dos Strokes toda manchada de verde. Cara como eu amava aquela camisa, como amava ela dentro da camisa.
E durante o resto do meu dia ajustei meus pensamentos na parede verde-limão e como tudo ficaria melhor ou suportável se minha parede voltasse a ser minha. Era uma equação simples, precisava devolver a minha vida para mim mesmo, e o primeiro passo era a parede.
Eu odiava verde, ela amava verde eu a amava.
Acabou o terceiro dia.

2 comentários :

Germine aqui um pouco de amor. ♥