05 março 2015

100 DIAS SEM ELA: 2° DIA


Queria dizer que tive uma boa noite de sono, que após um dia difícil eu acordei recuperado. Queria acreditar que após dormir bem pudesse curar meu coração maltrapilho. No entanto, assim como a noite anterior meus olhos se recursaram a fechar e meus pensamentos silenciar, eles pareciam fantasmas com vozes e sedentos por vingança.
Mas quem seria culpado pelo fim de uma história, pela linha reta que de repente virou curva, pela vontade que passou, pelo desejo que escorreu pelo ralo, pela chama que se apagou? Será que realmente há um único e insolente culpado? Todavia se tivermos que ir para o tribunal não pensaria duas vezes em culpa-la afinal quem ficou com a casa e o coração bagunçado foi eu. Ela? Ela saiu dissimulada igual a Capitu e eu fiquei igual Bentinho desestruturado como se um furação tivesse passado sobre mim e levado tudo. A única coisa que deixou foi destruição.
Das coisas que ficou comigo restaram um apartamento frio e uma varanda sem brilho, um porta retrato sem foto. Fiquei com o café extra forte para esquecer o doce dela pelas manhãs. Ainda me sobraram quatro ou cinco amigos que me levam para tomar coca cola ao invés de encher a cara na sexta noite, eles ficaram comigo mesmo sem terem certeza de que ela era culpada. Ainda assim é difícil sentir que tenho algo, porque até meus amigos se tornaram dela, e quando estou com eles é impossível não lembrar ela aqui nesse apartamento brindando as novas amizades com um copo de criança que ganhou em uma dessas festinhas infantil que ela adora ir.
Achei as bolachas integrais e a geleia de morango dela no fundo armário. Pronto. Pensei comigo, achei a desculpa perfeita para ligar de manhã e ouvir aquela voz um pouco rouca de sono. Logo meus dedos foram mais rápidos que meu bom senso, os primeiros toque a procura de sua respiração do outro lado da linha foram desesperadores, Mas assim que ouvi sua voz sonolenta aquele meu lado covarde que ela conhece bem me fez desligar o telefone sem se quer uma palavra dita. Era orgulho demais, medo demais, raiva demais, era tudo demais para mim.
Poderia continuar narrando como foi torturante o restante do meu dia, mas depois do episódio lamentável do café seria vergonha demais continuar narrando minha decadência em 24 horas.

E foi assim o 2º dia sem ela.

2 comentários:

Germine aqui um pouco de amor. ♥